domingo, 29 de agosto de 2010

A PROPOSTA DE APRENDIZAGEM SOFISTA x A PROPOSTA DE APRENDIZAGEM EAD.

A proposta de aprendizagem dos sofistas que foram os primeiros professores se ampara na presença do orador para induzir o espectador, por meio do método de divulgação do saber e na produção do pensamento. A transmissão do saber sofístico corresponde ao modelo de Conferência e da Assembléia. A função dos sofistas era de educar, preparar o indivíduo para sua participação na sociedade.
Deste modo o saber localiza-se em quem está discursando, o sofista. Aos ouvintes, constituinte da plenária cabe receber os conhecimentos. Os sofistas têm como objetivos sedução, fazendo com que ao final possa garantir que todos concordem com as idéias transmitidas, fazendo valer suas idéias, conceitos e alienando-se a sua opinião e não a verdade. Essa transmissão de conhecimentos e sistemas prontos impede que haja crescimento e criticidade em qualquer modalidade do ensino.
Quando se refere a educação tradicional estamos nos referindo ao modelo sofista, sendo os professores que transmitem o saber e são considerados os únicos responsáveis por transmitir os conhecimentos. Essa transmissão de conhecimento é realizada de forma que os alunos acreditam não possuí-lo.
Portanto o saber está com quem transmite o conhecimento que é o professor e que precisa ser adquirido por aquele que não o possui. Sendo assim o saber é algo que pode ser adquirido e será realizado através da transmissão, por meio de exposição de idéias, em que o estudante deve se colocar na posição de receptor enquanto o mestre um hábil orador. O bom mestre, nessa perspectiva, é aquele capaz de manter o silêncio necessário para a apropriação do conhecimento e faz transposição didática, “traduzindo” os conceitos para os estudantes.
Nas propostas de aprendizagens dos sofistas e EAD o professor assume uma postura diferenciada. Os sofistas procuram provocar reações prazerosas nos espectadores, utilizando especialistas de sedução a fim de conduzir conhecimentos. Aqui a presença do orador/professor torna-se imprescindível. É ele que induz o espectador por meio de sugestão à reprodução do pensamento. Para a proposta de aprendizagem em EAD a função do professor é de não entrar na relação com o aluno, como aquele que possui o saber, mas compreender as diferentes formas de aprender do aluno e acompanhar seu processo de aprendizagem numa atitude de orientador sobre a trajetória de cada aluno.
A proposta da educação em EAD é a de interagir com o conhecimento baseando-se nas possibilidades e oportunidades ofertadas pela modalidade educacional. Em uma sociedade moderna e globalizada a informação é instantânea e os meios para alcançá-las são precisos e disponíveis a todos.
Portanto, cabe ao professor buscar compreender, julgar e compartilhar o conhecimento, considerando o aluno como instrumento de emancipação, e a partir de uma perspectiva de democratização das oportunidades educacionais, nas sociedades da "informação" ou do "saber".
A modalidade EAD, tão utilizada na atualidade, possibilita o aluno a ser autônomo, a falar e a pensar por si mesmo; propõe uma relação de trocas e interações entre mestre e aprendiz, promovendo o crescimento conjunto, porém de aprendizagem individualizada. Para o tão estudado e difundido, pelos mestres contemporâneos, Paulo Freire (1996): “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção” e é nisso que nós professores temos errado, nós não fazemos o aluno pensar, pois para isso, é preciso saber pensar. E, de acordo com Demo (2000): “saber pensar não é só pensar. É também, e sobretudo, saber intervir. Teoria e prática, e vice-versa”.
Enfim, diante estudos da proposta de aprendizagem dos sofistas, observamos alguns pontos que já foram citados acima, que os vemos como negativos quando se fala numa construção de um sujeito pensante, reflexivo e ativo na sociedade, mas, no entanto, não podemos deixar de discorrer, que esta proposta de aprendizagem faz parte da história progressiva das propostas de aprendizagens, assim, tem o seu valor e sabemos que até hoje não deixa de ser utilizada, contudo, precisamos conhecê-las e termos sabedoria para melhor aplica-las conforme a necessidade que temos diante a construção do saber que desejamos proporcionar.
Como exemplo podemos citar as vídeos conferências que temos na metodologia EAD e que são práticas sofistas, mas no entanto, é necessário que a tenhamos como parte integrante da metodologia de ensino, para que possamos alcançar grande número de pessoas que são os cursistas, mas, a metodologia de ensino não se encerra somente nessa prática, abrindo espaços para outras práticas metodológicas que são as práticas em EAD, e também socráticas (pequenos grupos organizados para estudos) que não precisamos aqui nos aprofundar, devido o nosso texto ser baseado na postura sofistica e a comparação com a proposta em EAD.

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