"O CONHECIMENTO SE FAZ COM A APROPRIAÇÃO DAS OPORTUNIDADES DE INFORMAÇÃO." Renato Santos
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
TANTO PARA SÓCRATES QUANTO PARA A MODALIDADE EAD O SABER É UMA ELABORAÇAO INDIVIDUAL DO SUJEITO
Sócrates é uma das principais figuras da Filosofia Antiga e um dos filósofos mais conhecidos de toda a História da Filosofia. No entanto, deste grande mestre do pensamento nada ficou, por si, escrito. Todavia, sabe-se que se dedicou, sobretudo, ao ensino e ao conhecimento da virtude. Pesquisando sobre o método socrático – a Maiêutica, relata que Sócrates passava grande parte do tempo lecionando a jovens, através de conversas informais. As aulas eram ministradas na loja de um sapateiro, em frente ao marco da Ágora, o centro comercial de Atenas. Era comum que conversasse e debatesse nas ruas, livremente (Strathern, 1998). Ele desenvolveu um método de argumentação chamado de dialética (precursor da lógica). Esse método envolve uma profunda análise conceitual. Sócrates sempre propunha a questão “o que é? ...”, através da qual se buscava a definição de uma determinada coisa, em geral uma virtude ou qualidade moral (Marcondes, 2000; Strathern, 1998). O debatedor deveria responder claramente ao que lhe era perguntado, freqüentemente respondendo simplesmente sim ou não (Nielsen Neto, 1985). Sócrates representa, para a Filosofia Ocidental, o paradigma da autonomia da consciência. Ele ficou na história como o modelo do filósofo, não apenas por ter levado a defesa das suas posições ao ponto supremo da coragem e da coerência, enfrentando a condenação à morte com a maior serenidade, como ainda porque fez da sua própria vida um exercício filosófico (que foi a sua obra filosófica por excelência). Diferentemente dos sofistas, o homem, é ele próprio, entendido como um enigma a decifrar. O papel do filósofo, portanto, não é o de apresentar respostas prontas, mas de ajudar os seus interlocutores, outros indivíduos, através da dialética e do diálogo, para que venham a dar à luz suas próprias idéias. Os passos básicos do método maiêutico são primeiramente questionar o interlocutor, de forma que ele exponha as suas idéias, provocando-o a explicitar suas crenças e questionando-o, para que ele fundamente suas idéias e crenças. Após, freqüentemente utilizando-se de ironia, deve-se problematizar essas crenças, fazendo com que o interlocutor caia em contradição, reconhecendo insuficiências e expondo inconsistências, até que ele conclua que não sabe tanto quanto acreditava em relação ao que está expondo – o reconhecimento da ignorância é o princípio da sabedoria; A partir daí o indivíduo tem o caminho aberto para a busca da verdade, livrando-se de meras opiniões e encontrando o caminho para o conhecimento (Marcondes,2000). Com esse método, Sócrates não oferecia respostas prontas aos seus alunos. Para ele, todo conhecimento era inato, a ação do filósofo era ajudar o indivíduo a chegar ao conhecimento que já possuía antes mesmo de nascer (Nielsen Neto, 1985). Ele jamais respondia as questões que formulava, apenas indicava ao seu interlocutor as respostas insatisfatórias e porque assim o eram. Com isso, Sócrates indicava somente o caminho que deveria ser percorrido pelo próprio indivíduo. Temos aí a origem da palavra método, que significa “através de um caminho”. Para Sócrates, virtude é conhecimento, e o conhecimento que ele liga à virtude é a episteme (conhecimento racional) e não a doxa (opinião). Como pode-se perceber, mesmo com todo o avanço nos métodos de ensino e de construção do conhecimento, os ensinamentos de Sócrates podem ser considerados até certo ponto inovadores para os dias de hoje, se considerarmos o ensino tradicional. A proposta de Educação EAD, pretende harmonizar o conhecimento como uma necessidade pessoal do sujeito. A partir do momento em que o indivíduo percebe seu desejo ao conhecimento, ele se cerca de métodos e formas em busca dos saberes. A proposta EAD proporciona responsabilidade pela busca do sujeito aos contextos intelectuais presentes no mundo contemporâneo e esta busca lhe permite atravessar fases e aprimorar sua inserção intelectual e moral no meio social em que vive. Enfim, ser mestre, ser aprendiz, envolver-se com o conhecimento é contextualizar o ser humano emancipado em um mundo que precisa de parâmetros para o bem estar em todos os apectos. Se antes, pela impossibilidade de acesso presencial as faculdades intelectuais, o indivíduo estava limitado quanto ao conhecimento, hoje, com a proposta EAD estes limites foram interrompidos e a tecnologia possibilitou a mestres e aprendizes compartilharem experiências dos saberes tendo a disposição o conhecimento e o direito de intervir e de contribuir nesse processo de ensino e aprendizagem. Para Sócrates, todo conhecimento era inato, a ação do filósofo era ajudar o indivíduo a chegar ao conhecimento que já possuía antes mesmo de nascer, pensando desta maneira podemos perceber que tanto para Sócrates quanto para a modalidade EAD o saber é uma elaboração individual do sujeito. O tutor, ao estimular o aprendizado, aponta que o mesmo não está pronto e acabado. Precisa continuamente passar por uma constante revisão e transformação.
domingo, 29 de agosto de 2010
A PROPOSTA DE APRENDIZAGEM SOFISTA x A PROPOSTA DE APRENDIZAGEM EAD.
A proposta de aprendizagem dos sofistas que foram os primeiros professores se ampara na presença do orador para induzir o espectador, por meio do método de divulgação do saber e na produção do pensamento. A transmissão do saber sofístico corresponde ao modelo de Conferência e da Assembléia. A função dos sofistas era de educar, preparar o indivíduo para sua participação na sociedade.
Deste modo o saber localiza-se em quem está discursando, o sofista. Aos ouvintes, constituinte da plenária cabe receber os conhecimentos. Os sofistas têm como objetivos sedução, fazendo com que ao final possa garantir que todos concordem com as idéias transmitidas, fazendo valer suas idéias, conceitos e alienando-se a sua opinião e não a verdade. Essa transmissão de conhecimentos e sistemas prontos impede que haja crescimento e criticidade em qualquer modalidade do ensino.
Quando se refere a educação tradicional estamos nos referindo ao modelo sofista, sendo os professores que transmitem o saber e são considerados os únicos responsáveis por transmitir os conhecimentos. Essa transmissão de conhecimento é realizada de forma que os alunos acreditam não possuí-lo.
Portanto o saber está com quem transmite o conhecimento que é o professor e que precisa ser adquirido por aquele que não o possui. Sendo assim o saber é algo que pode ser adquirido e será realizado através da transmissão, por meio de exposição de idéias, em que o estudante deve se colocar na posição de receptor enquanto o mestre um hábil orador. O bom mestre, nessa perspectiva, é aquele capaz de manter o silêncio necessário para a apropriação do conhecimento e faz transposição didática, “traduzindo” os conceitos para os estudantes.
Nas propostas de aprendizagens dos sofistas e EAD o professor assume uma postura diferenciada. Os sofistas procuram provocar reações prazerosas nos espectadores, utilizando especialistas de sedução a fim de conduzir conhecimentos. Aqui a presença do orador/professor torna-se imprescindível. É ele que induz o espectador por meio de sugestão à reprodução do pensamento. Para a proposta de aprendizagem em EAD a função do professor é de não entrar na relação com o aluno, como aquele que possui o saber, mas compreender as diferentes formas de aprender do aluno e acompanhar seu processo de aprendizagem numa atitude de orientador sobre a trajetória de cada aluno.
A proposta da educação em EAD é a de interagir com o conhecimento baseando-se nas possibilidades e oportunidades ofertadas pela modalidade educacional. Em uma sociedade moderna e globalizada a informação é instantânea e os meios para alcançá-las são precisos e disponíveis a todos.
Portanto, cabe ao professor buscar compreender, julgar e compartilhar o conhecimento, considerando o aluno como instrumento de emancipação, e a partir de uma perspectiva de democratização das oportunidades educacionais, nas sociedades da "informação" ou do "saber".
A modalidade EAD, tão utilizada na atualidade, possibilita o aluno a ser autônomo, a falar e a pensar por si mesmo; propõe uma relação de trocas e interações entre mestre e aprendiz, promovendo o crescimento conjunto, porém de aprendizagem individualizada. Para o tão estudado e difundido, pelos mestres contemporâneos, Paulo Freire (1996): “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção” e é nisso que nós professores temos errado, nós não fazemos o aluno pensar, pois para isso, é preciso saber pensar. E, de acordo com Demo (2000): “saber pensar não é só pensar. É também, e sobretudo, saber intervir. Teoria e prática, e vice-versa”.
Enfim, diante estudos da proposta de aprendizagem dos sofistas, observamos alguns pontos que já foram citados acima, que os vemos como negativos quando se fala numa construção de um sujeito pensante, reflexivo e ativo na sociedade, mas, no entanto, não podemos deixar de discorrer, que esta proposta de aprendizagem faz parte da história progressiva das propostas de aprendizagens, assim, tem o seu valor e sabemos que até hoje não deixa de ser utilizada, contudo, precisamos conhecê-las e termos sabedoria para melhor aplica-las conforme a necessidade que temos diante a construção do saber que desejamos proporcionar.
Como exemplo podemos citar as vídeos conferências que temos na metodologia EAD e que são práticas sofistas, mas no entanto, é necessário que a tenhamos como parte integrante da metodologia de ensino, para que possamos alcançar grande número de pessoas que são os cursistas, mas, a metodologia de ensino não se encerra somente nessa prática, abrindo espaços para outras práticas metodológicas que são as práticas em EAD, e também socráticas (pequenos grupos organizados para estudos) que não precisamos aqui nos aprofundar, devido o nosso texto ser baseado na postura sofistica e a comparação com a proposta em EAD.
Deste modo o saber localiza-se em quem está discursando, o sofista. Aos ouvintes, constituinte da plenária cabe receber os conhecimentos. Os sofistas têm como objetivos sedução, fazendo com que ao final possa garantir que todos concordem com as idéias transmitidas, fazendo valer suas idéias, conceitos e alienando-se a sua opinião e não a verdade. Essa transmissão de conhecimentos e sistemas prontos impede que haja crescimento e criticidade em qualquer modalidade do ensino.
Quando se refere a educação tradicional estamos nos referindo ao modelo sofista, sendo os professores que transmitem o saber e são considerados os únicos responsáveis por transmitir os conhecimentos. Essa transmissão de conhecimento é realizada de forma que os alunos acreditam não possuí-lo.
Portanto o saber está com quem transmite o conhecimento que é o professor e que precisa ser adquirido por aquele que não o possui. Sendo assim o saber é algo que pode ser adquirido e será realizado através da transmissão, por meio de exposição de idéias, em que o estudante deve se colocar na posição de receptor enquanto o mestre um hábil orador. O bom mestre, nessa perspectiva, é aquele capaz de manter o silêncio necessário para a apropriação do conhecimento e faz transposição didática, “traduzindo” os conceitos para os estudantes.
Nas propostas de aprendizagens dos sofistas e EAD o professor assume uma postura diferenciada. Os sofistas procuram provocar reações prazerosas nos espectadores, utilizando especialistas de sedução a fim de conduzir conhecimentos. Aqui a presença do orador/professor torna-se imprescindível. É ele que induz o espectador por meio de sugestão à reprodução do pensamento. Para a proposta de aprendizagem em EAD a função do professor é de não entrar na relação com o aluno, como aquele que possui o saber, mas compreender as diferentes formas de aprender do aluno e acompanhar seu processo de aprendizagem numa atitude de orientador sobre a trajetória de cada aluno.
A proposta da educação em EAD é a de interagir com o conhecimento baseando-se nas possibilidades e oportunidades ofertadas pela modalidade educacional. Em uma sociedade moderna e globalizada a informação é instantânea e os meios para alcançá-las são precisos e disponíveis a todos.
Portanto, cabe ao professor buscar compreender, julgar e compartilhar o conhecimento, considerando o aluno como instrumento de emancipação, e a partir de uma perspectiva de democratização das oportunidades educacionais, nas sociedades da "informação" ou do "saber".
A modalidade EAD, tão utilizada na atualidade, possibilita o aluno a ser autônomo, a falar e a pensar por si mesmo; propõe uma relação de trocas e interações entre mestre e aprendiz, promovendo o crescimento conjunto, porém de aprendizagem individualizada. Para o tão estudado e difundido, pelos mestres contemporâneos, Paulo Freire (1996): “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção” e é nisso que nós professores temos errado, nós não fazemos o aluno pensar, pois para isso, é preciso saber pensar. E, de acordo com Demo (2000): “saber pensar não é só pensar. É também, e sobretudo, saber intervir. Teoria e prática, e vice-versa”.
Enfim, diante estudos da proposta de aprendizagem dos sofistas, observamos alguns pontos que já foram citados acima, que os vemos como negativos quando se fala numa construção de um sujeito pensante, reflexivo e ativo na sociedade, mas, no entanto, não podemos deixar de discorrer, que esta proposta de aprendizagem faz parte da história progressiva das propostas de aprendizagens, assim, tem o seu valor e sabemos que até hoje não deixa de ser utilizada, contudo, precisamos conhecê-las e termos sabedoria para melhor aplica-las conforme a necessidade que temos diante a construção do saber que desejamos proporcionar.
Como exemplo podemos citar as vídeos conferências que temos na metodologia EAD e que são práticas sofistas, mas no entanto, é necessário que a tenhamos como parte integrante da metodologia de ensino, para que possamos alcançar grande número de pessoas que são os cursistas, mas, a metodologia de ensino não se encerra somente nessa prática, abrindo espaços para outras práticas metodológicas que são as práticas em EAD, e também socráticas (pequenos grupos organizados para estudos) que não precisamos aqui nos aprofundar, devido o nosso texto ser baseado na postura sofistica e a comparação com a proposta em EAD.
ENTENDE-SE POR JACQUES RANCIÉRE QUE, A EMANCIPAÇÃO INTELECTUAL DEVE ESTAR PRESENTE NA ALMA DO APRENDIZ DE NOSSOS TEMPOS (presencial ou EAD)
O francês Jacques Ranciére tem como base o método de aprendizagem proposto pelo mestre Joseph Jacotot (séc. XIX) que consiste no termo emancipação intelectual. O mestre encaminha o aluno a utilizar sua própria inteligência. Diferente de Sócrates, ele não induz seu interlocutor ao contexto da aprendizagem, mas, fomenta seu desejo pelo conhecimento que o fará buscar incessantemente o saber, emancipando-se intelectualmente do “mestre ignorante”. A emancipação intelectual descrita por Jacotot deixa claro que, a autonomia do aluno quanto a busca do saber o libertará das alienações dos sistemas de conhecimentos ideológicos. O papel do professor não é ensinar e sim participar do aprendizado como um incentivador.
Considerando que o sujeito tem como mestre o inconsciente que controla os seus desejos, entende-se, que o encontro destes mestres (o inconsciente) permite simbolizar as experiências e relacioná-las com o saber, elaborando, portanto, novas representações do conhecimento e dos saberes existentes. Os caminhos dos saberes já trilhados tornam-se fontes de buscas e pesquisas para se aprimorar o aprendizado. O mestre emancipador propõe um conhecimento sem limites em que o inconsciente, segundo Lacan, vai determinar o desejo da busca pelo conhecimento.
Jacotot, sem conhecer a língua holandesa, utilizou-se de uma oportunidade (revista bilíngüe Télémaque) para ensinar literatura francesa à holandeses. Os alunos sem uma mestria aparente surpreenderam o “mestre” que nada fez exceto, fomentar o desejo pelo conhecimento em seus aprendizes. Para Jacotot, o acaso ocorrido em sua experiência com seus alunos, lhe permitiu perceber que a evidência cega de todo sistema de conhecimento e ensino do mestre não é, absolutamente, necessária. Se o mestre ensina, ele impede seu aluno de aprender sozinho e, portanto, limita seu aprendizado a contextos superficiais do conteúdo ensinado. Inicialmente o mestre explicador, mero transmissor de conhecimentos apropriados de um livro ou outro mestre que sistematizou um saber, faz um conjunto de raciocínios para explicar outro raciocínio limitado ao conhecimento intencional. Decreta o aprendizado do aluno aos limites da ignorância que ele mesmo impõe e verifica se o aluno entendeu o que ele ensinou. Para Jacotot, este é o princípio do emburrecimento. Em contrapartida o mestre emancipador utiliza-se do método que deixa o aluno em um lugar de igualdade diante do mestre que em seu legado sabe que o aluno pode aprender sem mestre e sua posição é de fomentar, estimular e materializar o conhecimento.
Sócrates questionou a mestria dos sofistas e foi criticado por Ranciére em seus métodos de ensino. Entretanto, atualmente, pode-se visualizar ao logo dos tempos os diferentes momentos em que se organizou a educação. No início não havia escolas, já que a educação era exercida pelo conjunto dos seus membros. A criação da escola institucionalizada foi se tornando cada vez mais complexa e regimentada por uma minoria. Muitos pensadores contribuíram para o desenvolvimento de métodos e posturas na educação e hoje pode-se olhar para o passado e remontar um futuro com as ferramentas educacionais do presente, estimulando o indivíduo à criticidade e envolvimento com o saber. Portanto, em tempos modernos, no ensino de qualidade não deve haver diferença entre a metodologia utilizada no ensino presencial e a distância. As metodologias mais eficientes no ensino presencial são também as mais adequadas ao ensino a distância. Pedagogia por projetos, trabalho colaborativo, inteligências múltiplas, resolução de problemas, desenvolvimento de competências, autonomia, pró-atividade, aprender a aprender, são métodos, técnicas, estratégias e posturas que devem ser utilizados tanto no ensino presencial quanto no ensino a distância. Fala-se muito sobre "o aluno como centro do processo de ensino-aprendizagem" e "um novo papel para o professor, que deixa de ser o transmissor de conhecimentos e passa a ser um facilitador do processo", como características do EAD. As estratégias de ensino devem incorporar as novas formas de comunicação e, também, incorporar o potencial de informação da Internet. A emancipação intelectual deve estar presente na alma do aprendiz de nossos tempos (presencial ou EAD) pois só assim poderá apropriar-se do saber e da utilização da interatividade na aprendizagem que hoje, passa a apresentar uma nova dimensão, potencializada pela Internet e suas ferramentas. Acredito que, em breve, o termo Educação a Distância possa deixar de existir. Não se fala ao telefone "a distância", simplesmente fala-se ao telefone. Não se envia um e-mail "a distância", simplesmente envia-se um e-mail ou um arquivo anexado. Da mesma forma, não se ensina ou se aprende "a distância", simplesmente ensina-se ou aprende-se, com uso das tecnologias disponíveis, de forma presencial ou não presencial.
Considerando que o sujeito tem como mestre o inconsciente que controla os seus desejos, entende-se, que o encontro destes mestres (o inconsciente) permite simbolizar as experiências e relacioná-las com o saber, elaborando, portanto, novas representações do conhecimento e dos saberes existentes. Os caminhos dos saberes já trilhados tornam-se fontes de buscas e pesquisas para se aprimorar o aprendizado. O mestre emancipador propõe um conhecimento sem limites em que o inconsciente, segundo Lacan, vai determinar o desejo da busca pelo conhecimento.
Jacotot, sem conhecer a língua holandesa, utilizou-se de uma oportunidade (revista bilíngüe Télémaque) para ensinar literatura francesa à holandeses. Os alunos sem uma mestria aparente surpreenderam o “mestre” que nada fez exceto, fomentar o desejo pelo conhecimento em seus aprendizes. Para Jacotot, o acaso ocorrido em sua experiência com seus alunos, lhe permitiu perceber que a evidência cega de todo sistema de conhecimento e ensino do mestre não é, absolutamente, necessária. Se o mestre ensina, ele impede seu aluno de aprender sozinho e, portanto, limita seu aprendizado a contextos superficiais do conteúdo ensinado. Inicialmente o mestre explicador, mero transmissor de conhecimentos apropriados de um livro ou outro mestre que sistematizou um saber, faz um conjunto de raciocínios para explicar outro raciocínio limitado ao conhecimento intencional. Decreta o aprendizado do aluno aos limites da ignorância que ele mesmo impõe e verifica se o aluno entendeu o que ele ensinou. Para Jacotot, este é o princípio do emburrecimento. Em contrapartida o mestre emancipador utiliza-se do método que deixa o aluno em um lugar de igualdade diante do mestre que em seu legado sabe que o aluno pode aprender sem mestre e sua posição é de fomentar, estimular e materializar o conhecimento.
Sócrates questionou a mestria dos sofistas e foi criticado por Ranciére em seus métodos de ensino. Entretanto, atualmente, pode-se visualizar ao logo dos tempos os diferentes momentos em que se organizou a educação. No início não havia escolas, já que a educação era exercida pelo conjunto dos seus membros. A criação da escola institucionalizada foi se tornando cada vez mais complexa e regimentada por uma minoria. Muitos pensadores contribuíram para o desenvolvimento de métodos e posturas na educação e hoje pode-se olhar para o passado e remontar um futuro com as ferramentas educacionais do presente, estimulando o indivíduo à criticidade e envolvimento com o saber. Portanto, em tempos modernos, no ensino de qualidade não deve haver diferença entre a metodologia utilizada no ensino presencial e a distância. As metodologias mais eficientes no ensino presencial são também as mais adequadas ao ensino a distância. Pedagogia por projetos, trabalho colaborativo, inteligências múltiplas, resolução de problemas, desenvolvimento de competências, autonomia, pró-atividade, aprender a aprender, são métodos, técnicas, estratégias e posturas que devem ser utilizados tanto no ensino presencial quanto no ensino a distância. Fala-se muito sobre "o aluno como centro do processo de ensino-aprendizagem" e "um novo papel para o professor, que deixa de ser o transmissor de conhecimentos e passa a ser um facilitador do processo", como características do EAD. As estratégias de ensino devem incorporar as novas formas de comunicação e, também, incorporar o potencial de informação da Internet. A emancipação intelectual deve estar presente na alma do aprendiz de nossos tempos (presencial ou EAD) pois só assim poderá apropriar-se do saber e da utilização da interatividade na aprendizagem que hoje, passa a apresentar uma nova dimensão, potencializada pela Internet e suas ferramentas. Acredito que, em breve, o termo Educação a Distância possa deixar de existir. Não se fala ao telefone "a distância", simplesmente fala-se ao telefone. Não se envia um e-mail "a distância", simplesmente envia-se um e-mail ou um arquivo anexado. Da mesma forma, não se ensina ou se aprende "a distância", simplesmente ensina-se ou aprende-se, com uso das tecnologias disponíveis, de forma presencial ou não presencial.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
A MESTRIA DE LACAN E A TRANSMISSÃO NA PSICANÁLISE: CONTRIBUIÇÕES NA MODALIDADE DE ENSINO A DISTÂNCIA
Jacques Lacan considera que o sujeito tem como mestre o inconsciente. E o sujeito do inconsciente não se equivale ao “eu” da consciência, o eu do penso, eu sou. Parafraseando Lacan (Meu Ensino, p.45): “O sujeito que nos interessa – sujeito não na medida em que faz o discurso, mas em que é feito por ele, (...) – é o sujeito da enunciação”. Por isso, Lacan vai dizer que esse discurso é o discurso do inconsciente que nos governa, nos comanda, rompendo com a idéia de que possa haver um Eu capaz de controlar e comandar o próprio desejo.
Em psicanálise, fala-se no saber inconsciente, este pois, não é da mesma ordem do conhecimento produzido na ciência. Na metodologia da educação tradicional, o mestre responde do lugar do saber, ensina falando como deve ser, tomando o aluno como lugar de objeto, assim exerce o comando pelo poder. Lacan, em um de seus seminários, cita o diálogo no qual Sócrates faz perguntas a um escravo, porém, no diálogo, Sócrates induz o pensar do escravo, na crítica de Lacan o que Sócrates faz é “arrebatar do escravo sua função no plano do saber” (O Avesso da Psicanálise, 1969).
A mestria de Lacan é ficar no lugar de desentendido, de ignorante, conforme pontua em O saber do Psicanalista, 1981. A psicanálise não faz uso do saber para exercer domínio sobre o outro, mas sim sendo agente causa de desejo, provocando, no outro, o desejo do saber. Contudo, se é desejo, marca-se como falta; falta que faz produzir. E é exatamente porque o saber em psicanálise é furado, faltoso é impossível transmiti-lo por completo. Assim, em 1964, Lacan cria o Ato de Fundação e estabelece um dispositivo, considerado como órgão de base da Escola, o chamado Cartel, que obedece a sua lógica que é a de um saber não totalizado.
O Cartel se constitui por decisão de seus membros, visando o estudo e a produção acerca de um tema. É uma estrutura composta de três a cinco pessoas e o mais-um, que zela pela tarefa. Os membros que compõe o Cartel trabalham tentando decifrar um saber que lhe afeta, e a resposta depende do trabalho de cada sujeito. Através do Cartel que, também, faz-se a transmissão na psicanálise.
A proposta do EAD vem ao encontro da dinâmica que rege o cartel na medida em que o orientador não dispõe do discurso do líder; é como o mais-um entre os aprendizes. No ensino a distância, assim como no cartel, a produção do saber, do não-todo saber, embora individual, não tem dono, “pertence a todo conjunto”.
Tanto para a Psicanálise quanto para a modalidade EAD, o saber é uma elaboração individual do sujeito. O tutor, ao estimular o aprendizado, aponta que o mesmo não está pronto e acabado. Precisa continuamente passar por uma constante revisão e transformação.
Em psicanálise, fala-se no saber inconsciente, este pois, não é da mesma ordem do conhecimento produzido na ciência. Na metodologia da educação tradicional, o mestre responde do lugar do saber, ensina falando como deve ser, tomando o aluno como lugar de objeto, assim exerce o comando pelo poder. Lacan, em um de seus seminários, cita o diálogo no qual Sócrates faz perguntas a um escravo, porém, no diálogo, Sócrates induz o pensar do escravo, na crítica de Lacan o que Sócrates faz é “arrebatar do escravo sua função no plano do saber” (O Avesso da Psicanálise, 1969).
A mestria de Lacan é ficar no lugar de desentendido, de ignorante, conforme pontua em O saber do Psicanalista, 1981. A psicanálise não faz uso do saber para exercer domínio sobre o outro, mas sim sendo agente causa de desejo, provocando, no outro, o desejo do saber. Contudo, se é desejo, marca-se como falta; falta que faz produzir. E é exatamente porque o saber em psicanálise é furado, faltoso é impossível transmiti-lo por completo. Assim, em 1964, Lacan cria o Ato de Fundação e estabelece um dispositivo, considerado como órgão de base da Escola, o chamado Cartel, que obedece a sua lógica que é a de um saber não totalizado.
O Cartel se constitui por decisão de seus membros, visando o estudo e a produção acerca de um tema. É uma estrutura composta de três a cinco pessoas e o mais-um, que zela pela tarefa. Os membros que compõe o Cartel trabalham tentando decifrar um saber que lhe afeta, e a resposta depende do trabalho de cada sujeito. Através do Cartel que, também, faz-se a transmissão na psicanálise.
A proposta do EAD vem ao encontro da dinâmica que rege o cartel na medida em que o orientador não dispõe do discurso do líder; é como o mais-um entre os aprendizes. No ensino a distância, assim como no cartel, a produção do saber, do não-todo saber, embora individual, não tem dono, “pertence a todo conjunto”.
Tanto para a Psicanálise quanto para a modalidade EAD, o saber é uma elaboração individual do sujeito. O tutor, ao estimular o aprendizado, aponta que o mesmo não está pronto e acabado. Precisa continuamente passar por uma constante revisão e transformação.
Assinar:
Comentários (Atom)